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01-Ago-2012

OBRIGADA, Dª EMÍLIA

Numa mensagem singela, de apenas duas linhas, a nossa colega Emília Rodrigues anunciou que por motivos de aposentação antecipada, fica desligada da Universidade do Minho a partir de hoje, dia 1 de agosto.

Despediu-se "com carinho", disse-nos que estava sempre disponível (até cedeu o seu número de telefone), e ainda agradeceu a todos.

Assim, deste modo despojado, e tão solidário, a Dª Emília deixa o nosso convívio - profissional - e envereda por uma outra fase da sua vida.

Gostaríamos que o fizesse por diferentes  motivos,  e que não se fosse, como vai, fustigada pelo infortúnio que se abateu sobre ela e a sua família.

Em todo o caso, esperámos que tenha agora maior sorte, e que consiga  encontrar muito sossego e  felicidade.

Os mais novos talvez sequer saibam quem é esta Senhora que lhes invadiu a caixa de correio para se despedir, e porque o fez.

Na verdade, hoje em dia, em que cada um está cada vez mais isolado no seu reduto, lutando com dificuldades várias (e, lamentavelmente, com algum individualismo à mistura) torna-se difícil conhecer os colegas que laboram na mesma casa, conhecer os seus  problemas, as suas causas, as suas lutas.

Para esses, e para aqueles cuja memória se vai esbatendo, há que lembrar que a  Dª Emília ingressou na Universidade do Minho há 30 anos atrás,  numa época em que toda agente se conhecia, e se sentia como fazendo parte de uma grande família.

Para ela os "princípios humanistas" e a "solidariedade" não eram meros enunciados inscritos na "missão" da Universidade, sob a forma de "Estatutos" - antes uma realidade vivida e partilhada.

Começou pela Tesouraria, onde esteve até 1984, e depois passou ao então Setor dos Vencimentos, onde permaneceu até 1989.

Em julho de 1989 foi para o chamado  núcleo dos Serviços Administrativos, em Azurém, que praticamente criou.

Em 1 de agosto de 1990, faz agora doze anos, foi  integrada na Escola de Engenharia.

Além disso, desde 6 de Julho de 1989  e até 2 de Maio de 1994 acumulou os serviços de tesouraria em Azurém (desde esta data e até 1 de Junho de 1999 em todo o campus de Gualtar).

Como a sua vivência na Universidade nunca se esgotou nas meras tarefas que lhe estavam atribuídas, antes sempre esteve envolvida na defesa dos interesse e direitos dos funcionários, foi eleita representante deste corpo, na Escola de Engenharia, em três mandatos.

Foi ainda  Membro do Senado Universitário, por eleição, em três mandatos, e em igual número na Assembleia da Universidade.

A sua atividade associativa teve  particular incidência na Comissão Paritária, para a qual foi sucessivamente eleita (em 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005). Neste último órgão, compartilhei com ela  a representação dos funcionários (nos dois últimos mandatos),  e recordo com saudade a sua acérrima defesa dos funcionários penalizados por notações mais injustas, e que tinham a coragem de delas reclamar. Na ocasião, as duas juntas, cada uma na sua específica vertente, sempre unidas, lá conseguimos associar aos  nossos argumentos todos os elementos da Comissão, e desse modo, reconhecendo-se a razão dos notados, ou as irregularidades formais dos procedimentos, as reclamações apresentadas acabaram sempre por proceder.

Noutra vertente, com a criação da AFUM, foi sucessivamente integrando os órgãos sociais, e tornou-se uma das associadas mais ativas, imprimindo grande dinamismo a todas as  iniciativas nas quais se envolveu.  

Acresce ainda que a Dª Emília aderiu desde a primeira hora ao projeto do "um para todos", entretanto consubstanciado nesta Página.

E é esta Senhora que agora se despede "agradecendo-nos "...

Nada tem a agradecer - muito pelo contrário!

A Instituição, que tão zelosamente serviu, durante trinta anos, é que lhe deve estar grata.

É com pessoas como ela que se faz a história da Universidade do Minho.

Todos nós lhe devemos estar gratos.

À Dª Emília, o meu muito obrigado.

Maria Fernanda Ferreira

 
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